ArquiteturaInspiraçõesPessoas

Santiago Calatrava

Por 23 de agosto de 2013 4 Comments

É quase impossível olhar uma obra de Santiago Calatrava e não saber quem é o autor do projeto, mas com aquela sensação meio que “será que gostei disso?”. É até perdoável ficar na dúvida se você gosta ou não, tamanha ousadia, mas é o tipo de trabalho que não precisa de assinatura para você saber quem fez. É também, praticamente impossível não admirar, devido à riqueza de detalhes dos seus projetos. Pois bem, achei muito pertinente apresentar um pouquinho de um dos arquitetos (e engenheiro!) mais impressionantes que eu conheço e admiro.

Santiago Calatrava nasceu em Valência, na Espanha, em 1951. Formou-se em arquitetura no Instituto de Arquitetura, em Valência, em 1974, e graduou-se em engenharia no Instituto Federal de Tecnologia, em Zurique, em 1979. Nunca parou de estudar. Calatrava abriu seu escritório de arquitetura e engenharia em Zurique. A partir daí, seu trabalho não precisa mais de apresentação, ele fala por si só. Seus projetos sempre são de uma complexidade impressionante, verdadeiras obras de arte da engenharia civil e arquitetura. Frequentemente inspirado por formas orgânicas como esqueletos, seus trabalhos elevaram o desenho de certas obras de engenharia para novos patamares.

Os edifícios que levam a assinatura do arquiteto têm em comum o fato de não se integrarem harmonicamente ao entorno, ao contrário disso, eles estão ali para chocar, quase como dizendo “oi, mundo! Estou aqui, muito prazer”. Muitas das suas primeiras obras se encontram na Suíça e na Espanha, mas podemos ver seus trabalhos espalhados pelo mundo todo, em países da Europa, nos Estados Unidos, Canadá e Argentina.

Entre seus mais ousados trabalhos, está o Museu de Arte de Milwaukee, nos Estados Unidos, que atrai atenção pelos tubos de aço formando a silhueta de um pássaro. Num discreto movimento, elas se posicionam ora para cima, ora para baixo.

Milwakee Art Museum - 1 Calatrava

foto: Milwakee Art Museum

Milwakee Art Museum - 2 Calatrava

foto: Milwakee Art Museum

Milwakee Art Museum - 3 Calatrava

foto: Milwakee Art Museum

Entretanto, um dos mais impressionantes conjuntos de autoria de Calatrava, fica em Valência, sua cidade natal. Ali, ele fez um planetário em formato de olho humano com gigantescas pálpebras de aço que abrem e fecham.

Ciudad de las Artes y las Ciencias - 1 Calatrava

foto: Ciudad de las Artes y las Ciencias

Ciudad de las Artes y las Ciencias - 2 Calatrava

foto: Ciudad de las Artes y las Ciencias

Ciudad de las Artes y las Ciencias - 3 Calatrava

foto: Ciudad de las Artes y las Ciencias

Ciudad de las Artes y las Ciencias - 4 Calatrava

foto: Ciudad de las Artes y las Ciencias

Ciudad de las Artes y las Ciencias - 5 Calatrava

foto: Ciudad de las Artes y las Ciencias

Ciudad de las Artes y las Ciencias - 6 Calatrava

foto: Ciudad de las Artes y las Ciencias

Há quem não goste de suas obras, pois as consideram um tanto quanto agressivas, mas é praticamente impossível não parar para olhá-las, principalmente enquanto estão em movimento.

Outra obra do arquiteto que ganhou destaque foi o famoso edifício Turning Torso, na cidade sueca de Malmö. Trata-se de um prédio residencial com 54 andares, que imita um tronco humano retorcido em 90 graus. É dividido em 9 cubos, sendo os dois primeiros de escritórios e o resto de apartamentos.

Turning Torso-1 Calatrava

foto: Turning Torso

Turning Torso-2 Calatrava

foto: Turning Torso

Turning Torso-3 Calatrava

foto: Turning Torso

Finalmente, no Brasil, ganharemos não uma, mas duas de suas obras! O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, no Porto do Rio, e uma ponte estaiada metroviária da Linha 4 do Metrô, na Barra da Tijuca. Calatrava, no museu, chegou à forma estilizada de um caule recoberto por painéis de aço, que se abrem e fecham como pétalas.

Museu do amanhã-1 Calatrava

foto: Museu do Amanhã

Museu do amanhã-2 Calatrava

foto: Museu do Amanhã

Pode-se dizer que o prédio é uma boa síntese de toda sua obra. Podemos ver, ali, as grandes dimensões típicas de seus edifícios, os traços inspirados na natureza e a estrutura em movimento. No museu, caberá a um sistema hidráulico, controlado por um sofisticado programa de computador, fazer com que as placas se movimentem de modo que permaneçam mais tempo na direção do sol, em 90 graus em relação à incidências dos raios. A ideia é que, assim, elas absorvam a maior quantidade possível de energia para mover a engrenagem.

Ponte estaiada-1 Calatrava

foto: Rio Barra

Ponte estaiada-2 Calatrava

foto: Rio Barra

Calatrava gosta de evidenciar o movimento das forças que animam as construções. Introduz soluções móveis e configurações dinâmicas. Talvez por isso seja classificado como um dos mais ativos “estruturistas” contemporâneos. Inspira-se primordialmente nos seres da natureza (antropomórficos, harmonias e equilíbrios dos esqueletos ou das formas naturais, articulações-rótulas, tendões-cabos), assume muitos riscos na busca de um estilo próprio que se baseia na natureza.

Isso foi só um começo, para aguçar a curiosidade, com uma pesquisa básica na internet você pode encontrar muito mais sobre esse ser humano singular. Porém, dois links que me ajudaram muito nesse post foi essa reportagem da Veja de Marcelo Bortoloti e Silvia Rogar, além do site do próprio Calatrava.

  • Josielle Alecrim

    Muito bom o texto. Gostei de conhecer o trabalho do Calatrava.

    • Obrigada, Josielle! Ficamos felizes que tenha gostado! 🙂

  • Bene Menezes

    Fiquei impressionado de ver tamanha “genialidade”, em um único profissional da área! Sem falar que o texto, aqui, de fato, ficou muito bom! Deu muito prazer em ler…Fiquei com uma ‘pontinha’ de quero mais! Rsrsrsrrs…
    Excelente matéria!

  • Bene Menezes

    Aliás, o site ‘Limaonagua’ é muito agradável de se navegar! Fico horas, vendo muitas novidades sobre arquitetura! Super bem elaborado!

Compartilhe com um amigo